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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

PL 122

O projeto de Lei da Deputada Iara Bernardes do PT, já aprovado na Câmara e agora tramimitando no Senado, cahamada "lei da mordaça", prevê alterações na Lei 7716/89 (Lei do Preconceito), no Código Penal e na CLT é inconstitucional? Observa-se numa análise mais aprofunda do projeto que este coloca os líderes religiosos, católicos, evangélicos, espiritas, mulçumanos, judeus e outros, cujos estatutos religiosos como a Bíblia, o Alcorão e a Torá que terminantemente não aceitam o relacionamento sexual que não seja entre um gomem e uma mulher, estão com um "pé na cadeia" caso em suas liturgias sequer leiam um texto registrado nos seus livros sagrados milenares, de cuja fé é a sua estrutura e por acaso esteja entre os seus ouvintes algum adepto GLS. Da mesma forma não poderá nos seus locais de culto impedir que as mesmas pessoas troquem carícias e até se beijem, como muitas vezes ocorrem nos templos religiosos. A CRFB garante a livre manifestação do pensamento (Art 5º IV); a inviolabilidade de consciência e de crença sendo assegurado o livre exeecicio de cultos religiosos (VI); além de outros dispositivos legais. Observa-se também que a lei poderá interferir no livre direito de associação e até no livre direito das entidades confeccionarem seus estatutos. Teme-se que esta lei que concede prerrogativas que não são concedidas a grupós como indios, negros, idosos, deficientes crie uma verdadeira "casta" de GLS, de forma que o objetivo da lei tenha o efeito inverso ao pretendido, face ao terror que levará à sociedade, onde até um pai não poderá orientar o seu filho e tem mais, até um pedófilo poderá alegar em sua defesa que a orientação sexual dele é gostar de satisfazer suas lascívias com criancinhas que poderá ser o seu filho, o seu sobrinho, a sua netinha, ou da sua vizinha ou da sua empregada. Está no projeto de lei: "o caput do art. 1º da Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1999, passa a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, ORIENTAÇÃO SEXUAL e identidade de gênero".

EM TEMPO: QUEREMOS RESSALTAR QUE NADA TEMOS CONTRA O GRUPOS DE GAYS, LÉSBICAS, TRANSEXUAIS E SIMPATIZANTES, POIS SEGUNDO A PROPRIA CONSTITUIÇÃO TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI.


Luis Matos
23/06/2008 20:19 | editado



http://forum.jus.uol.com.br/83617/o-projeto-de-lei-12206-e-inconstitucional/

A MORAL DA HIPOCRISIA HUMANA


A MORAL DA HIPOCRISIA HUMANA


Refletindo sobre a moralidade que reina nas sociedades e suas constantes alterações com o tempo, só consigo chegar a uma única conclusão: a sociedade esconde suas hipocrisias atrás da máscara da moralidade.

Quando voltamos em qualquer parte do tempo passado e construímos uma ponte comparativa com os dias atuais, notamos como os conceitos morais foram alterados; como as pessoas passaram a aceitar moralmente o que antes era tido como imoral. Alguns justificariam tais mudanças dizendo ser isto conseqüência da evolução humana, outros poderiam dizer que faz parte do amadurecimento da sociedade quebrar determinadas regras, enfim, sempre haveria uma “desculpa” para justificar tais alterações. Mas será que eu encontraria alguém que dissesse: “Isto é apenas uma nova maquiagem na velha máscara que cada um de nós carrega.”?

Poderia aqui selecionar centenas, milhares de fatos que aconteceram no mundo e que, com o tempo, sofreram alterações no padrão do conceito moral de alguma forma. Mas não precisaria fazer tal coisa, uma vez que basta identificar um, percebendo-se, assim, a mesmice da essência em todos os outros.

Você já ouviu falar de uma época em que a palavra de um homem valia mais do que qualquer documento assinado? Desonestidade era imoral. Mas como os tempos mudaram! Perceba o maldito “jeitinho brasileiro” e contemple as várias ações da nossa política nacional. Hoje não há tanta aversão a desonestidade; o conformismo naturalista se instaurou e a grande maioria das pessoas passaram a assistir a isto como algo normal e não como algo ofensivo, abusivo, ilegal, prejudicial... por fim... imoral.

O catolicismo que, antes, associou-se, corretamente moral, com o nazismo, de Hitler, hoje faz discursos para que haja paz entre judeus e palestinos. As regras de conduta moral são estabelecidas através de Concílios, dogmas ou até mesmo um jornalzinho em que, moralmente, alteram a lista dos chamados pecados capitais. Mas e as questões como castidade e pobreza dos padres que contrasta com a riqueza bilionária da Igreja Romana; o homossexualismo e a pedofilia que acontecem atrás das sacristias, nas casas paroquiais ou em pequenas cidades na quais estes líderes religiosos são tidos como deuses?

E por falar em pedofilia, lembra da época em que era moralmente correto colocar crianças nos filmes medíocres das pornochanchadas brasileiros? Pouquíssimo tempo depois uma das atrizes pornô da época e que contracenou em cenas de sexo com um garotinho foi elevada, moralmente, pela sociedade da época como a “Rainha dos Baixinhos” e se transformou na apresentadora infantil de maior sucesso no país até hoje.

E o que dizer da sociedade atual que, moralmente, não admite que um adulto (ser humano maior que 18 anos) pratique sexo ou atos de atentado ao pudor com menores de idade (ser humano menor que 18 anos)? No entanto, as crianças de 11, 12, 13, 14 anos de idade agarram uma as outras com toda a veemência do início da puberdade e ainda são embaladas pelas músicas de funk, moralmente aprovada por seus pais e que só tratam de temas de conteúdo sexual no mais baixo nível.

O protestantismo aceitou a moralidade de transformar seus líderes religiosos em deuses, em milionários, em bilionários, em assumirem a posição de “cabeça e não de cauda”, utilizando-se de deturpações do Evangelho para se posicionarem como seres moralmente melhores que os demais mortais da Terra. E bispos vão parar em prisões estrangeiras, deputados-pastores são denunciados por pistolagem, casas de milhões de dólares se erguem em tempo recorde a fim de abrigarem os desejos egocêntricos e tudo isso, e muito mais, é moralmente aceito por pessoas chamadas de “ovelhas”.

E a imoralidade do homossexualismo de épocas atrás deu lugar a uma moral em forma de passeata, de festa com arco-íris e de toda sorte de desejos que, moralmente falando, vão adentrando TV´s, jornais, revistas, propagandas, seriados, filmes e todo tipo de meios de comunicação de massa. O imoral libertino é hoje o moralmente compreendido por uma sociedade que, de tempos em tempos, altera valores.

            E poderia aqui dizer dos conceitos morais de certos pais dados a seus filhos quanto a drogas, cigarros, bebidas e tantas outras coisas, mas que são realizados moralmente por eles mesmos numa educação ditatorial do tipo faça o que falo, mas não o que faço.
           
            E assim, como diria Renato Russo, “todos vão fingindo viver decentemente.”

            Enquanto as pessoas carregarem a moral como regra de conduta de vida, as sociedades permanecerão sendo hipócritas e as pessoas continuarão enganando a si próprias.

            A conscientização sempre foi o melhor caminho. Valores que se estabelecem na vida e para a vida como lucidez de mente, onde sou sempre quem sou independente do lugar onde estou; onde não preciso esconder o que fui porque simplesmente “já fui”. Onde não é a moda ou algum programa idiota da TV que me passa informações sobre como devo vestir ou como me comportar.
           
            “A ignorância é vizinha da maldade”, já dizia um provérbio árabe, e assim a coletivização de mente é mais fácil de ser controlada. A inércia mental produz zumbis culturais e seres hipócritas que se escondem atrás da máscara da moralidade, que de tempos em tempos, arrumam a maquiagem com o simples propósito de mostrarem a face asquerosa de perversidades, de egoísmos, de vaidades, de presunções... com uma aparência mais bela e com um poder de persuasão maior.

            Sempre temos mais de uma opção para escolher, mas infelizmente a grande maioria escolhe a mais cômoda e não a mais conscientemente correta. Enquanto muitos adotarem a regra de não ser quem realmente é, a moral permanecerá sendo o caminho a ser seguido, o deus a ser adorado... e, de quando em quando, um demônio imoral será canonizado em santo moral e muito vão viver achando ser normal a normalidade moral da hipocrisia mental de cada um de nós..

BH 11/03/2008

Ao usar este artigo, mantenha os links e faça referência ao autor:
A Moral Da Hipocrisia Humana publicado 11/03/2008 por Riva Moutinho em http://www.webartigos.com



Fonte: http://www.webartigos.com/articles/4720/1/A-Moral-Da-Hipocrisia-Humana/pagina1.html#ixzz16Nixd5gV

A Hipocrisia Humana

A Hipocrisia Humana

Em um capítulo da peça Hamlet de Shakespeare, o protagonista, de mesmo nome que a obra, produz na cena dois do ato três do livro uma peça teatral. Sua intenção era desmascarar as atrocidades feitas pelo seu tio. Esse estaria na platéia assistindo à encenação de um assassinato que imitava de modo preciso a forma pela qual usou para matar seu irmão. Tudo que Hamlet queria era uma reação por parte de seu tio em que o estimulasse a admitir seu crime. Portanto, Hamlet não estava sendo solidário com o povo organizando aquele espetáculo como muitos pensaram, estava sim, vertendo ódio pela morte injusta de seu pai e ávido por vingança. Sim: o insano Hamlet - para mim gênio - foi hipócrita.
Assim é o homem, dotado de carne, osso e hipocrisia, característica intrínseca que denota fingimento de virtudes e sentimentos onde não enxergamos em nós mesmos, mas percebemos de forma abundante em outrem. É sobre essa questão que exijo a reflexão do leitor e convoco-o para uma viagem em torno do meu entendimento sobre o assunto.
A hipocrisia humana é manifestada de diversas maneiras, mas julgo que poderíamos classificá-las em dois grupos maiores: hipocrisias impudentes e hipocrisias elípticas.
As impudentes são aquelas que conseguimos defini-la sem a necessidade de uma observação aguçada e que estão presentes de forma clara no dia a dia. Cito alguns exemplos: hoje, no mundo dos negócios, as empresas falam muito na negociação ganha-ganha onde ninguém sai perdendo, porém por traz disso estão duas estratégias bem montadas para se sair vitorioso, fica claro que esse tipo de negociação é na verdade “ganha-eu”. O que realmente cada empresa quer é sair vencedora de forma que, independente do resultado que obtenha a outra, esse não atrapalhe os negócios daquela. Temos também o caso Ronaldo e Cicarelli que disseram: “nos amamos demais”, e após três meses mudaram o discurso: “Nunca existiu amor”. Outra monstruosidade é escutar entrevistas de jogadores de futebol. É como levar chibatadas no ouvido. Com raras exceções, eles respondem sempre as mesmas coisas, no intuito de não falarem o que pensam para não se comprometerem. O que dizer então dos nossos políticos falando, gesticulando, pormenorizando todos os seus feitos e suas bondades, se defendendo em CPIs de forma tão clara e esplêndida, que a cada depoimento faz-nos, simples mortais, pensarmos que estão certos. Sem comentar sobre a posição do nosso presidente de não querer instalar as CPIs, o que, quando oposição, defendia com rigor. A oposição atual também nos deixa perplexo pelo efeito inverso. Antes não desejavam, agora desejam imensamente instalações de inquéritos. Tudo isso é hipocrisia impudente leitor, o homem usa artimanhas para se beneficiar, e ainda tem poder para se auto-justificar sobre os seus feitos para assim dormir tranqüilo.
Para apimentar o quadro há algo pior que verte em nossas veias: a hipocrisia elíptica. Uma epidemia oculta, invisível ocasionada talvez por razões ainda não desvendadas de maneira precisa pela psicologia ou qualquer outra ciência. É aquela em que, por exemplo estamos fazendo algo interessante e percebemos a presença de alguém observando nossa performance, nos dedicamos a fazer aquela tarefa brilhantemente para que o outro comente a boa atuação. É a roupa justa que algumas mulheres e alguns homens usam para que outros olhem e se interessem vorazmente. Claro que se perguntamos para esses o porquê dessa roupa tão justa a resposta é elementar: “Por que me sinto bem assim”. Outro exemplo é o fato de o homem pensar que pode trair e que a mulher não; esse estereótipo nunca é admitido por aquele, mas a grande maioria pensa assim. Esses são ou não exemplos de não é hipocrisia elíptica? Algo que está ali, invisível e ocasionando sofrimentos muitas vezes em silêncio.
A propósito, quem aqui já não mentiu sutilmente para conseguir algo? Quem já não tornou um segredo de dois em três para benefício próprio? Quem aqui já não disse: “Não gosto” ao invés de dizer: “não sei”; ou ainda disse “te amo” ao invés de dizer “te desejo”?
Como vemos a hipocrisia está entre nós. Em todos os cantos onde exista a raça humana, e em certos casos tão sutil (as elípticas), que nem os seus proprietários a percebem.
Enquanto essa epidemia não tem antídoto, resta-nos apenas denunciá-la, debate-la com rigor para amenizarmos a sua freqüência. Esse é o objetivo do presente texto. Ou será que o intuito dessa crônica seja que o maior número de pessoas a leia para que o autor seja elogiado? Não sei ao certo.
Talvez eu esteja sendo hipócrita.
Marcio Portal
Publicado no Recanto das Letras em 03/02/2008
Código do texto: T844628

Cinismo

Confira a crônica inédita e exclusiva de Rubem Fonseca para os leitores do Portal Literal.


Cinismo
Rubem Fonseca

A semântica, que estuda o significado das palavras, me lembra Janus, que segundo a mitologia era o porteiro celestial. Ele possuía duas cabeças, simbolizando os términos e os começos, o passado e o futuro, o dualismo relativo de todas as coisas. A semântica também têm duas cabeças, uma sincrônica, que fala de palavras com o mesmo significado ao mesmo tempo, e outra diacrônica, que estuda a modificação das palavras ao longo do tempo. 

Vejamos a palavra cínico. Ela deriva da palavra grega kŷ;;ő;;n, kynós, que significa “cão”, animal cuja vida seria igual à pregada pelos cínicos, pois morde aqueles que merecem, é capaz de distinguir os amigos dos inimigos, e principalmente, o cínico é capaz de viver como o cão, indiferente às convenções sociais. (Os cães daquela época deviam ser diferentes dos atuais “cachorrinhos de madame” que viajam com elas para Paris dentro de bolsas Louis Vuitton). Hoje, através de desvios diacrônicos, este termo se refere àquelas pessoas desavergonhadas, impudentes; que desdenham dos escrúpulos alheios, que se mostram atrevidos ou descarados ao seguir seus impulsos ou interesses, uma pessoa, conforme a definição de H.L. Mencken, que quando cheira uma flor olha ao redor procurando o caixão do defunto. 

Como todos sabem, o cinismo foi uma corrente filosófica fundada por Antístenes, um discípulo de Sócrates. O mais famoso dos cínicos se chamava Diógenes, o sujeito que ficava dentro de um tonel, ou vaso funerário, que durante o dia vagueava com uma lanterna acesa a procurar homens virtuosos. Uma história famosa dele é a de que certo dia, quando estava tomando sol, chegou inesperadamente o todo poderoso imperador Alexandre Magno e lhe disse: “Pede-me o que quiseres” e Diógenes lhe respondeu: “Desejo apenas que te afastes do meu sol e não me faças sombras.”

Perguntaram a Platão que tipo de homem era Diógenes e Platão respondeu: “Um Sócrates que ficou maluco”. Por falar em maluco, Nietzsche disse que "o cinismo é a única forma sob a qual as almas vulgares se aproximam do que seja a honestidade.”

Mas afinal, qual a filosofia dos cínicos? Os antigos, da época de Antístenes, pregavam o desapego aos bens materiais e externos, a rejeição à hipocrisia, e estabeleciam uma correlação entre conhecimento e virtude, virtude que consiste, sobretudo, na conduta moral do ser humano, naquilo que lhe é intrínseco – e não nas conquistas materiais. Exatamente o oposto do significado da palavra em nossos dias. 

E os filósofos cínicos modernos? Peter Sloterdijk, autor do cultuado Crítica da razão cínica, foi há alguns anos o pivô de uma briga que dividiu a intelectualidade européia. Sloterdijk propôs um Conselho de cientistas e filósofos para criar um discutível “Parque Genético Humano” – “Menschenpark”, para salvar a espécie da imbecilidade e brutalização induzida pelas mídias. O famoso filósofo alemão Jürgen Habermas atacou Sloterdijk e um monte de filósofos se meteu no meio, confundindo mais do que esclarecendo. 

Onde se encontram os cínicos autenticamente seguidores de Diógenes?, pergunta o filósofo Michel Onfray, onde se aninham os descendentes do filósofo do cão? Primeiramente entre os filhos de Nietzsche, que, como sabemos, morreu louco. E os outros, quem são eles? Entre os mais recentes Michel Foucault e Gilles Deleuze, “que morderam feito cães, cagaram e mijaram nas falsas aparências da época, levantaram as patas diante das honrarias e dos poderes.” 

Mas eles, os cínicos autênticos, existem entre as pessoas simples, “pode ser qualquer um que se sinta revoltado e animado por uma vontade política de acabar com os cínicos vulgares, aqueles que querem vender um amanhã ideal para fazer engolir o hoje insuportável. Sua insubordinação, sua rebelião, sua revolta, sua reinvindicação reatualizam o gesto de Diógenes.”

Todavia, os cínicos autênticos, em sua maioria, não sabem que são cínicos. Eles desafiam as falsas convenções sociais e a moralidade hipócrita, mas não sabem que isto é um cinismo genuíno. Lamentavelmente, a palavra cinismo, para eles, sofreu a diacronia semântica e passou a ter um significado pejorativo. 

Esta conversa está ficando muito filosófica, e chata. Vamos voltar à diacronia da semântica. 

Um instrumento de tortura denominado “tripalium” com o passar dos anos tornou-se a palavra “trabalho”. (Sei que para muitos “trabalho” continua sendo uma forma de tortura.) Todos aqueles que têm computador conhecem a palavra inglesa “delete”, que significa apagar. É uma demonstração de como as palavras se movimentam no tempo e no espaço. O verbo delete vem do latim delere (apagar). Agora, no século 21, a palavra, migrando do inglês, reaparece em português no seu sentido original, deletar, devidamente integrada ao nosso vernáculo. A palavra estilo, do latim stilum, designava originalmente uma pequena haste usada para escrever, um tipo de caneta antiga. Não demorou para que surgisse um novo sentido para a palavra, ou seja, a “maneira de escrever” — “o estilo literário dos escritores”, como também o conjunto de tendências e formas de comportamento, além de significar requinte, habilidade esportiva, etc. A palavra avião, do francês “avion”, significava ave grande; quando foi inventado um aparelho com asas que voava, qual o nome que lhe foi dado? Avião. A palavra “tela” indicava (e ainda indica) um tipo de tecido; quando o cinema foi inventado, as imagens eram projetadas num retângulo deste tecido. Surgiu então a palavra tela ligada à imagem com o seu sentido puramente cinematográfico. A metáfora também influência as mudanças das palavras. Para não ter que usar palavras vulgares a fim de denominar órgãos genitais e excretores, (por exemplo, em português, boceta e cu), passou-se a usar vagina e ânus, oriundas das palavras latinas “vagina” e “anulus”, que significavam respectivamente vagenzinha e anelzinho.

Porém, a nossa discussão sobre a mudança de significados das palavras tem que passar pela semântica, pela metonímia e pela metáfora. Eu costumo dizer que a superioridade da literatura sobre todas as artes resulta da sua polissemia mais rica, isto é, a sua capacidade de ter muitos significados. O leitor, à medida que lê, recria a história, usa a sua imaginação. Isso é impossível olhando para a “tela”. 

Mas vou deixar este assunto para outra ocasião.

Voltando ao cinismo. Você é um cínico autêntico, seguidor, ainda que inconsciente, do Diógenes, ou é um cínico que faz parte da outra categoria?



http://portalliteral.terra.com.br/artigos/pensamentos-imperfeitos-rubem-fonseca-inedito