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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

10 formas de escrever um primeiro parágrafo sedutor

Qual é a segunda parte mais importante dos seus textos, depois do título?
O primeiro parágrafo.
Na internet, 80% dos leitores abandona o texto antes de terminar a leitura. São uns preguiços, não é?
NÃO! A culpa é toda sua!
Um vendedor sabe que, para ser bem sucedido em uma venda, deve dirigir-se sempre com o pé direito a pessoa com quem está falando. Não importa o quanto bom seja o produto, o preço ou a qualidade, muito menos se o cliente já for conhecido. Se deixar de causar uma boa primeira impressão, a chance de concretizar a venda cairá drasticamente.
Com o texto, sequer temos o leitor a nossa frente para continuarmos falando ou tentarmos convencê-lo contra a vontade — como muitos vendedores fazem. Assim, cada palavra que escrevemos, aumenta ou diminui a vontade de quem está lendo. Não importa se você escrever o melhor artigo do mundo. Cada vez mais, os textos são primeiramente escaneados, depois lidos.
Se o primeiro parágrafo não for um bom vendedor do resto do texto, você está frito!
Vamos ler 10 dicas para fazer com que seus primeiros parágrafos arrastem o leitor pelo resto do conteúdo:

1. Divirta, entretenha ou ponha a culpa no fulano

Todo mundo gosta de piadas e histórias. Se você for capaz de mantê-las curtas o suficiente, são uma das melhores formas de produzir emoção no leitor: simpatia, apatia, riso, bronca, tristeza, pena etc. Além disso, o leitor gosta de ler sobre pessoas. Cite alguém famoso e o desejado segundo parágrafo será o próximo da fila.

2. Você é burro! Pergunte ao leitor

Começar um texto com uma pergunta é uma técnica da retórica; causa curiosidade e faz o leitor pensar. Esse pensamento pode levá-lo exatamente ao assunto do texto, o que é algo muito bom para você.

3. Uma boa imagem vale o mesmo que um bom primeiro parágrafo

Uma boa imagem capta a atenção dos olhos. Não deixe passar a oportunidade de usar esse artifício a seu favor.
Mas tenha cuidado. Não esqueça que você quer prender a atenção desde o primeiro parágrafo para mantê-la no texto todo. Se usar uma imagem impactante, mas que nada tem a ver com o texto, o efeito se perderá.
Use uma imagem que o leitor possa relacionar com o título ou algum trecho do texto.

4. Aproxime idéias, compare e surpreenda

Quantas vezes já aconteceu de você só conseguir entender algo quando alguém veio e disse, “é o mesmo que isso, isso e isso”? De repente, mesmo que o assunto não tenha nada a ver, entendemos tudo.
Quando estiver explicando algo, caso você lembre de alguma comparação que possa ajudar no entendimento, não hesite em usá-la.

5. Abuse da imaginação do leitor

É muito mais fácil e até mais divertido e interessante quando conseguimos projetar algo concreto em nossas mentes, relacionado ao assunto em questão.
Recorrer a imagens mentais é uma das técnicas mais poderosas e mais usadas por escritores e oradores. Use palavras como “imaginem” “pense em tal coisa”, etc.

6. Metáforas… são como cisnes no horizonte atraindo corações apaixonados

As metáforas estão entre as ferramentas mais poderosas que dispomos para contar uma história ou dar um conselho em apenas uma frase. É uma boa forma de captar a atenção e produzir imagens mentais, permitindo que os leitores construam uma história para eles mesmos.

7. Cite uma estatística surpreendente

Começar com números ou dados técnicos nem sempre é recomendado, mas esta é uma exceção à regra. Uma estatística interessante e impactante é um bom recurso.
As pessoas gostam de saber sobre dados interessantes, mas só se forem originais, surpreendentes ou chocantes. Assim como as imagens, as estatísticas devem ser relevantes ao tema tratado.
3 conselhos: não abuse da quantidade de números, cite fontes confiáveis, e se puder, utilize gráficos para impressionar ainda mais.

8. Fale do famoso ou do sabichão

Como dizia Montaigne
O estilo deve ter três qualidades: clareza, clareza e clareza.
Alguma frase de um especialista no tema ou pessoa conhecida pode fazer maravilhas no trabalho de atrair o leitor nesses primeiros segundos.

9. Resuma suas 128 páginas

Se seu texto é muito grande e você não está confiante se vai conseguir atrair a atenção do leitor — mas realmente está convencido de que é um excelente material e que vale a pena ler até o fim — adiante a ele o que vai encontrar. Explique quais elementos fazem com que seu artigo seja imperdível.

10. Não siga meu exemplo: tenha cuidado com os links

Esses dias o Thiago Bomfim enviou-me um e-mail dando a dica de eliminar um pouco os links dos artigos, principalmente os do Buscapé. Quando fui ler meus últimos textos, fiquei apavorado com a quantidade de links. Por isso estou começando a eliminar links que não sejam relevantes.
Os links devem ser algo útil, devem acrescentar valor os seus textos, caso contrário, elimine-os.
Se você começa a ler um texto e nas três primeiras linhas há 2 links com leituras necessárias para entender todo o resto, provavelmente não continuará a ler.
A não ser que esteja escrevendo uma série, não coloque links no primeiro parágrafo.

O Processo de Escrita: Formatação

O material a seguir é uma tradução do estudo de Michael A. Convington, da Universidade da Georgia nos EUA, cuja versão completa e original pode ser acessada através deste link.
A autorização para tradução e distribuição, pode ser encontrada neste arquivo.

Formatação

Com os computadores, podemos tomar decisões sobre layout e tipografia diversas vezes após o texto ser escrito. Todos nós precisamos do básico em conhecimentos gráficos.

O principal na hora de formatar seu texto

  • Mantenha-o simples: use fontes familiares, como Times New Roman ou Verdana (trabalhos científicos exigem Times New Roman), no máximo 2 ou 3 por documento, cada uma com um propósito bem definido;
  • Deixe-o padronizado: o padrão mais usado é o de fontes não-serifadas (como Verdana) para títulos e rótulos, e serifadas (como Times New Roman) para o texto em si. Não esqueça do número de páginas e das margens padrão de 3cm para topo e esquerda e 2cm para direita e rodapé;
  • Evite variações sem sentido: nada de decorações, desenhos, imagens ou cores. Isso serve apenas para distrair o leitor;
  • Nunca desvie os olhos do leitor para outra coisa que não seja o assunto principal do seu texto;

Mais algumas dicas

  • Sempre use itálico ao invés de sublinhado;
  • Use travessões (–) ao invés de dois hifens (- -);
  • Matenha o padrão a qualquer custo: deve haver um motivo muito bom para modificar as margens ou fontes em um determinado ponto. Seus leitores vão gastar muito tempo tentando encontrar esse motivo.

As 4 qualidades essenciais de um texto

Quando escrevemos, o principal objetivo deve ser — ao menos na maioria das vezes — a plena comunicação com o leitor. As qualidades de um texto são fatores que determinam a facilidade com que o leitor poderá interagir e criar significados a partir daquele conjunto de sentenças. Essas qualidades são, essencialmente, os elementos da língua que estão à disposição de quem escreve.
Paulo Guedes, em seu livro Da redação escolar ao texto – um manual de redação (2002)define 4 qualidades que qualquer texto deve possuir: unidade temáticaobjetividade,concretude questionamento.

Unidade temática

Todo texto deve apresentar apenas uma ideia predominante. Não importa o quanto complexo ou simples o texto possa ser, a partir do momento em que as ideias começam a misturar-se, o leitor sofre um lapso de entendimento imediato.
É impossível criar um texto que dê conta de tudo. Precisamos definir e desenvolver uma ideia central, caso contrário, o texto não passará de uma lista mais ou menos ordenada de pequenos dados quase sempre incompletos.

Exemplo de texto sem unidade temática

Eu
Meu nome é Aline. Tenho dezoito anos. Sou uma pessoa recatada diante de estranhos. Porém, quando estou em companhia de amigos, me sinto à vontade para expor minhas ideias. Sendo aberta somente com estes, com os demais mantenho certa discrição. Admiro a justiça e fico chocada ao ver alguém sendo desprezado.
Adoro me divertir: ir a festas, assistir filmes, escutar músicas, bater um papo saudável. Gosto também de ler e muitas vezes de ficar só, pensando na vida. Detesto depender de outros na realização de minhas tarefas. Outra coisa que me realiza é dar aulas para crianças porque, como todo ser humano, gosto de carinho, e elas são muito afetivas.

Exemplo de texto com unidade temática

O rio e a serpente
Meu nome é Semíramis Deusdedith. Quando era criança, morria de inveja das Marias. Achava injusto ter de carregar sozinha um nome tão grande e esquisito.
Mais tarde, já adolescente, comecei a pensar que talvez ele encerrasse uma espécie de presságio. Quem sabe eu não seria um dia, também, uma grande mulher? Comecei, então, a sonhar em tornar-me uma mistura bombástica de mulheres como Jane Fonda, Simone de Beauvoir e Leila Diniz. Aceitava o convite de John Lennon para imaginar um mundo diferente e adorava-me assim, na primeira linha, entre aqueles que lutariam pela vida e os direitos humanos.
Hoje, encontro-me demasiado ocupada procurando cumprir a difícil tarefa de ser eu mesma. De forma que o projeto de mulher do século ficou para, quem sabe, uma próxima encarnação. Minhas contradições são idas e vindas através das quais vou, aos poucos, transformando-me numa pessoa inteira. Acredito no questionamento dos valores estabelecidos, na irreverência criativa e que o pensamento lúcido seja, não só revolucionário, mas também a chave da autonomia.
Neste ano completo meu trigésimo aniversário. Sou uma mulher comum, uma mulher do meu tempo. Meu nome? Acho-o simplesmente sibilante como uma serpente e longo feito um rio.

Concretude

Nós desenvolvemos nossa capacidade de abstração bem depois de termos aprendido a ler (Leia sobre as fases de desenvolvimento da leitura). Por essa razão, entendemos muito melhor as ideias concretas.
Um texto com concretude permite a criação de significados de uma forma muito mais fácil por parte do leitor. Falando de coisas específicas, de particularidades, de diferenças, explicando fatos, ações, dando exemplos, pequenos relatos de situações ocorridas, ilustrações, analogias e comparações, obtemos um texto com concretude.
A falta de concretude é caracterizada pelo uso de lugares-comuns, noções confusas, expressões vagas e genéricas.

Exemplo de texto sem concretude

Eu
Um jovem de dezessete anos, incerto de seu futuro. Alguém que sempre busca o melhor para todos, mas às vezes tropeça e faz o pior de tudo. Uma pessoa que se emociona e pára para chorar na distância de outro alguém.
Às vezes inconstante, incerto, indeciso. Idealista, acredita que todas as histórias podem ter um final feliz; desilude-se a cada derrota, seja de quem for, mas irradia-se de felicidade com uma pequena vitória. Teimoso, toma por certo o que todos lhe dizem ser absolutamente errado, traça os mais absurdos caminhos. Muitas vezes egoísta, individualista: abandona suas convicções para não perder algo que conquistou materialmente.

Exemplo de texto com concretude

Quando crescer (trecho)
É interessante como as cabeças das pessoas mudam com o passar dos anos. Quando criança, só desejava sair viva da escola, e poder chegar em casa sem levar uma surra por ser a mais feia e moreninha dentre todos os meus colegas. Após vinte e seis anos desejo coisas diferentes, o motivo com certeza é a vida que tive, esse modo de viver que me moldou.
Filha única de pais separados, tive muito pouco contato com meu pai, viajava esporadicamente para visitá-lo, e minha mãe, preocupada em dar tudo que podia para sua filha, vivia mais no trabalho do que em casa. Resultado: cresci acompanhada pela televisão. Meus gostos foram influenciados pelos filmes e personagens que eu gostaria de ser na vida real, até o modo de falar eu procurava trabalhar, para ficar cada vez mais refinado. As roupas, então, não tinha muita opção, a falta de recursos impossibilitava a imitação, mas determinou meu estilo.

Objetividade

Talvez a principal qualidade de um texto. Ser objetivo significa ir direto ao ponto, apresentar as ideias claramente de forma que o leitor possa entender o mais rápido possível, sem distrações.
Um detalhe importante que deve ser observado é que ser objetivo não significa ser “curto”. Veja:
Um homem forte entrou na sala
diz muito menos do que
Um homem entrou. Segurava uma bengala e, por alguma razão, quebrou-a ao meio como se fosse um pequeno galho de árvore.
Você precisa ser curto, sem ser curto, entende? Não, né. Faltou concretude na última frase ;)
Mais exemplos, então.
No texto que segue as palavras que designam conjuntos indefinidos tornam o texto tão pouco específico que qualquer significado pode ser atribuído a ele; não nos diz nada de concreto. Repare em: pessoasituaçõesacontecimentosmaneiramesmosconsequências,opções. São palavras que expressam conjuntos muito amplos, grupos gerais de conceitos.

Exemplo de texto sem objetividade

Considero-me uma pessoa otimista, apesar de que muitas situações e acontecimentos que se sucedem, não somente comigo, diretamente, mas com outras pessoas, e mesmo alguns de âmbito mundial me forcem, não raras vezes, a pensar de uma maneira negativa a respeito dos mesmos ou de suas possíveis conseqüências. Sou otimista, apesar de tudo, porque acredito que uma pessoa pode, muitas vezes, escolher qual o caminho seguir. Sendo assim, há, não raro, opções; cabe a cada um escolher o melhor entre elas.

O texto precisa apresentar uma questão, convidar o leitor a ajudar a solucioná-la e, ao mesmo tempo, percorrer os caminhos que podem levar a essa solução.
É preciso que o texto considere o tema como um problema a ser resolvido, ou pelo menos, equacionado, com um questionamento que possa afetar o leitor, agradando-o ou não.

Exemplo de texto com questionamento


Autodefesa (trecho)
Uma tarefa a cumprir sempre faz com que busquemos uma série de alternativas para concluí-la. Acredito que, quanto mais desafiador é o trabalho, maior é o número de hipóteses levantadas para a sua realização ou maior o tempo durante o qual nos ocupamos em devaneios à procura da solução mais criativa ou da ideia mais segura. Emresumo, apresentar-se não é tarefa das mais simples, considerando-se, além do constrangimento evidente, o fato de que esta mão esquerda habituada aos exercícios de caligrafia, sente-se muito desconfortável no exercício de juntar estes signos para falar da pessoa a que pertence.
Antes que as ponderações se tornem enfadonhas, apresento-me: Flávia, 20 anos, canhota (como o leitor mais atento já teve a oportunidade de constatar no parágrafo anterior), professora, grupo sanguíneo A positivo, estudante de Pedagogia, apaixonada pela vida, nativa de Escorpião, bailarina, tricoteira, frequentadora dos cinemas nos fins de semana e dos bares do Bom Fim (entre outros), simpatizante da ideologia da esquerda, apesar de detestar multidões e cultivar um monte de hábitos burgueses, preferências alimentares alternativas que agregam os prazeres da carne, a degustação de bebidas alcoólicas e o rigor da alimentação macrobiótica, motorista sem habilitação, irremediavelmente romântica e sempre preocupada com as opiniões alheias. Acabo de confessar um pequeno tormento cotidiano, responsável pelas longas explicações e justificativas presentes em quase tudo o que digo ou escrevo.

Conclusão

Depois de tantas regras e exemplos, ficamos pensando se realmente é possível criar um texto que possua todas essas qualidades de uma forma harmônica.
A resposta é: sim, mas talvez não precise.
Digo isso porque é muito importante conhecermos as qualidades de um texto e os modos de torná-lo atraente. Mas o objetivo de quem escreve é conhecer essas receitas e regras de tal forma que seja possível quebrá-las no momento certo.
Que outras técnicas você utiliza na hora de criar seus textos?

Curso para melhorar a escrita

Cada vez mais a escrita é uma ferramenta essencial na vida profissional de qualquer pessoa. Seja você de qualquer área, sempre será necessário escrever relatórios, orçamentos, análises de mercado, artigos científicos ou de opinião, ou ainda um simples e-mail para o chefe.
Aqui no Lendo.org existem vários artigos publicados que podem ajudar você a melhorar sua escrita, entre eles:
E vários outros.
No entanto, muitas pessoas andam pedindo recomendações de algo mais, algo como umcurso para melhorar a escrita, algo que seja on-line e que ajude a desenvolver ainda mais essa habilidade tão importante na vida de qualquer pessoa, acadêmico ou não.
Em minhas pesquisas, acabei encontrando o Curso de Escrita e Redação do Portal Cursos 24 horas.
Cursos 24 Horas - Cursos Online
No primeiro momento, fiquei desconfiado sobre a qualidade do mesmo, afinal cursos à distância sempre me deixaram com um pé atrás. Porém, como o valor investido seria bem baixo (R$35), resolvi fazer o teste.
Minha surpresa foi grande quando percebi que estava aprendendo coisas que nem mesmo na faculdade de Letras tive a oportunidade! Como escolher as palavras certas, formatação e estrutura dos parágrafos, objetividade e concisão e questões de ambiguidade são alguns dos temas com os quais tive contato e que não conhecia em profundidade.
Evidentemente, como egresso de Letras, também teve muita coisa que eu já sabia, como tipologias e gêneros textuais, tipos de linguagem, questões gramaticais e estrutura das orações. Porém, de qualquer forma, foi bom relembrar todos esses conceitos que vi na faculdade com dezenas de exemplos, dicas e exercícios bem interessantes.
O ambiente de aprendizagem do site é muito bom e rico em conteúdo. Como exemplo, posso citar que ao longo do curso contei com aulas em vídeo, uma apostila muito bem organizada e auxílio integral de um professor que corrigia os exercícios e tirava dúvidas, além de indicar uma bibliografia complementar muito boa.
Ao final do curso, recebi em poucos dias, na minha casa, o certificado, que é válido em todo o Brasil e pode ser utilizado para completar horas em atividades extra-curriculares exigidas em faculdades, contar como atividades em concursos públicos ou simplesmente constar no currículo. Não é todo mundo que pode dizer que fez um Curso de Escrita e Redação.
Enfim, um curso que eu recomendo muitíssimo, principalmente por ser bem barato — apenas R$35,00 e nada mais! Agora já estou dando uma olhada nos demais cursos do site para ver se algum é do meu interesse.
Quem sabe você também não encontra algo legal por lá? Depois volte aqui e conte sua experiência!

12 Exercícios para melhorar seus Diálogos

O diálogo é um dos mais difíceis aspectos para desenvolver em uma escrita de qualidade. Há diversos pequenos erros que você deve tentar evitar, tais como:

Linguagem robótica

Diálogos que não soam como uma fala natural não prendem a atenção do leitor. Ao ler, você deseja entrar na história, fazer parte dela!

Preenchimento

Diálogos que não adicionam nada na cena e não contribuem para um melhor entendimento dos caracteres são apenas “encheção de lingüiça”. O seu leitor não tem tempo a perder.

Exposição Demasiada

Novamente a encheção de lingüiça. Gente, não pense que seu leitor é burro! Se Maria falou que vai à feira, ela não precisa dizer novamente: “À feira eu vou”.

Nomeação

Não abuse escrevendo repetidamente os nomes dos interlocutores.

Uso excessivo de “Modificadores”

Modificadores de diálogo são elementos que influenciam no ato de falar dos interlocutores, tais como: gritou, exclamou,
chorou, sussurrou, gaguejou, opinou, insinuou e milhares de outros. Eles podem ser muito úteis às vezes, mas são freqüentemente utilizados como ponto de crítica para um diálogo mal elaborado.
Aqui vão alguns exercícios que podem ajudar você a melhorar suas técnicas de escrita de diálogos:
  1. Escreva coisas que você fala ao longo do dia. Examine seu próprio padrão de diálogo. Você não precisa pegar cada palavra, mas você pode descobrir que fala muito menos do que pensa e que suas declarações são extremamente curtas. Talvez você descubra também que raramente fala frases completas.
  2. Encontre um lugar qualquer, como um restaurante, um bar, ou um shopping e escreva alguns tópicos sobre coisas que ouve. Não tente lembrar conversas inteiras, apenas siga em frente e com uma breve mudança de contexto, vá para o próximo “alvo”. Se estiver preocupado em parecer suspeito, use seu palmtop ou aparelho de celular, eles fazem com que pareça que você está trabalhando ou jogando aquele joguinho legal, não espionando.
  3. Teste respostas de uma mesma pergunta. Pense em uma pergunta que requer ao menos um pouco de reflexão e questione várias pessoas diferentes. Compare suas respostas. Lembre-se de que seu foco são as palavras. Escreva-as assim que puder.
  4. Grave alguns programas de TV como noticiários, talkshows, comerciais, jogos de futebol etc. Transcreva os diálogos utilizando os nomes das pessoas. Se você não souber os nomes, use apenas descrições como “o anunciante” ou “a mulher de cabelo vermelho”. Compare diálogos entre programas de ficção e não-ficção que você gravou. Procure por expressões de boas vindas, descrições, vícios verbais (tais como, “você sabe”, “uhhhh”, “bem” etc.). Compare como esses diálogos mudam conforme o tipo de programa.
  5. Reescreva os diálogos dos programas que o exercício 4 propõe, tentando recriá-los tão precisamente quanto possível. Note como pode ser fácil ou difícil recriar o programa inteiro e também como pode ser fácil ou difícil o entendimento para quem está lendo. Finalmente, reescreva-os eliminando qualquer parte que possa ser irrelevante. Perceba, após isso, quais os pontos que foram melhorados e como a leitura ficou mais fácil.
  6. Novamente usando o exercício 4, reescreva os diálogos acrescentando tudo que for possível. Mude a cena, mude o propósito das pessoas que falam, mude o tom etc. Veja como pode ser fácil ou difícil usar as mesmas palavras para falar em tons diferentes.
  7. Escreva um diálogo para uma cena sem usar nenhum modificador. Apenas escreva uma conversa que flui naturalmente. Após o término, adicione descrições narrativas, mas nada de modificadores como “falou”, “gritou”ou “ordenou”. Ao invés disso, tente trabalhar o diálogo dentro da ação, numa progressão lógica de declarações. Finalmente, adicione alguns modificadores que sejam absolutamente necessários, mas mantenha-os o mais simples possíveis com expressões como “disse”, “contou”, ou “perguntou”. Repetindo, use-os apenas caso não tenha outra opção. Compare-os então, com antigos diálogos que você tenha escrito e veja o que você gostou ou não em relação às mudanças.
  8. Escreva uma cena onde uma pessoa conte a outra uma história. Tenha certeza em estar escrevendo um diálogo e não uma narrativa em primeira pessoa. Identifique claramente que uma pessoa está contando e outra está ouvindo, fazendo perguntas ou comentários. O propósito deste exercício não é a história que está sendo contada, mas sim as reações da pessoa que está ouvindo (em forma de diálogo escrito, evidentemente).
  9. Escreva uma cena onde uma pessoa esteja ouvindo a outras duas argumentando ou discutindo. Por exemplo, uma criança ouvindo seus pais falando sobre dinheiro. Use este “terceiro personagem” para narrar o que está acontecendo, ele sequer precisa entender os argumentos completamente.
  10. Escreva um diálogo entre dois mentirosos. Dê a tudo que eles falarem um duplo ou triplo sentido, mas nunca diga, em qualquer parte da narrativa, que eles estão mentindo. Depois, peça para alguém ler seu texto e perceba suas reações. É uma forma de verificar se seu diálogo causa entendimento imediato.
  11. Escreva uma conversa em que ninguém diga mais de 3 palavras por linha. Novamente, nada de modificadores para explicar o que se passa através da narração. Use a narração apenas para descrever ou melhorar a cena, não para explicar o diálogo.
  12. Escreva uma cena onde muitas pessoas estejam falando. Esta habilidade é uma característica dos mestres do diálogo, já que é muito difícil manter muitos personagens engajados em uma conversa de forma a manter o leitor consciente do que está acontecendo e das idéias e interesses de cada um dos interlocutores. Veja quantos personagens você consegue ir acrescentando, até que seja impossível entender o que está acontecendo.
Fonte: Writer’s Resource Center (Livre tradução e adaptação)

Exercícios de coesão e coerência

Coesão e coerência textuais são matérias que costuma-se dar ao primeiro ano do ensino médio. São dois assuntos muito próximos e praticamente não há maneira de estudá-los separadamente.
Tanto é assim que existem diversos livros de pesquisadores que tratam sobre o tema, como, por exemplo:
É importante, contudo, que na sala de aula não sejam dados apenas conceitos, mas também a oportunidade de prática por parte dos alunos. É aí que entra o papel dos exercícios escritos. São momentos em que o aluno vai tentar aplicar aquilo que aprendeu através de sua própria produção.
Aqui no blog já foram publicados dois planos de aula completos sobre essa matéria:
Mas se você busca apenas exercícios de coesão e coerência para seus alunos (sem esquecer que deve haver uma contextualização, com um plano de aula feito por você) abaixo estão alguns exemplos que podem ajudar, lembre-se de adaptar conforme as necessidades de sua turma:
1) Acabamos de ver como há palavras que podem substituir outras em um texto, fazendo referência a termos já utilizados anteriormente (você deve dar tal exercício depois de trabalhar a coesão referencial). Isso é muito útil em nossas próprias produções, especialmente para não repetirmos toda hora a mesma expressão e, além disso, garantirmos a unidade temática do texto.
Na notícia que você acabou de ler, circule todas as palavras que fazem referência ao festival de Cannes (você deve adaptar conforme o texto que você trabalhou).
2) Existem palavras que, apesar de não fazerem referência a um termo específico, ajudam a manter o leitor do texto focado em um determinado assunto. Por exemplo, na notícia que você leu hoje, palavras como filmes, diretor, programação e outras, dizem para o leitor que o assunto principal é cinema.
Você é capaz de listar todas as palavras que têm a ver com cinema, no texto?
3) Já vimos que a coesão textual pode ser estabelecida através do uso de palavras que façam referência a um termo anterior e também através do uso de palavras que façam parte do mesmo assunto, para manter o leitor focado. Mas será que o contrário também acontece? Será possível tornar um texto coeso através do apagamento de palavras ou expressões?
Abaixo estão os dois primeiros parágrafos da reportagem que acabamos de ler, porém com alguns acréscimos. Sua tarefa é riscar partes do texto que não sejam necessárias para o seu entendimento.
“Eles têm cabelo curto, geralmente preto, ou de cores como roxo e rosa. Também têm franjas que cobrem metade do rosto ou que cobrem apenas um dos olhos. Eles usam roupas de tons escuros contrastando com cores alegres e vivas. Além disso, também usam acessórios extravagantes e com motivos infantis. Usam camisetas justas, usam calças caídas e usam maquiagem nos olhos.
Eles tem entre 11 e 18 anos, em sua maioria. Eles gostam de ouvir um estilo de música chamado emocore, ou emotional hardcore, que é um estilo que mistura a batida do hardcore com letras românticas, e é daí que tiraram o nome da tribo: Emos. Você já deve tê-los visto nas ruas, tê-los visto nos shoppings, tê-los visto em vários lugares. Eles estão na moda.”
4) Você já deve ter ouvido que, em um texto, não se aconselha usar a mesma palavra muitas vezes, não é? Então, como falar da mesma coisa sem repeti-la? A coesão nos ajuda através de um mecanismo de substituição. Veja:
a) Os góticos usam roupas pretas e ouvem músicas obscuras. Os góticos são o produto de uma cultura bastante antiga que influencia muitos aspectos da vida contemporânea.
Os góticos usam roupas pretas e ouvem músicas obscuras. Eles são o produto de uma cultura bastante antiga que influencia muitos aspectos da vida contemporânea.
Os góticos usam roupas pretas e ouvem músicas obscuras. São o produto de uma cultura bastante antiga que influencia muitos aspectos da vida contemporânea.
Os góticos usam roupas pretas e ouvem músicas obscuras. Esse grupo é o produto de uma cultura bastante antiga que influencia muitos aspectos da vida contemporânea.
Agora é sua vez! Reescreva as frases abaixo usando um mecanismo de coesão que você considerar mais adequado.
b) Os emos escutam músicas tristes e melancólicas. Os emos não têm vergonha de expressar seus sentimentos em público.
c) A cultura gótica está também presente na arquitetura. A cultura gótica voltou à moda através de seu tema clássico. O tema clássico da cultura gótica é o vampirismo.
d) Emos e góticos não costumam gostar uns dos outros. Emos e góticos possuem algumas características em comum e algumas características bastante distintas.
5) Como vimos na aula passada, existem palavras que, por tratarem do mesmo tema, aparecem em um texto com o objetivo de informar o leitor sobre o assunto do mesmo. Dizemos que tais palavras pertencem ao mesmo campo semântico, ou seja, ao mesmo grupo de significado.
Para cada palavra abaixo, apresente pelo menos 5 palavras que pertençam ao mesmo campo semântico:
a) Emo
b) Vampiro
c) Preconceito
d) Adolescência

Fonte: http://www.lendo.org/exercicios-de-coesao-e-coerencia/